Arrozeiros gaúchos vão parar Cachoeira do Sul na segunda-feira.

Mobilização tem por objetivo alertar o governo federal para os problemas enfrentados pelo setor no estado.
 
 
 

Uma mega mobilização de arrozeiros gaúchos deve parar a área comercial de Cachoeira do Sul a partir da próxima segunda-feira (5), com previsão de se estender pelo menos até o dia 12. A iniciativa, capitaneada pela União Central de Rizicultores (UCR) e demais entidades ligadas ao agronegócio, tem o propósito de chamar a atenção do governo federal para a crise vivida pelo setor arrozeiro nos últimos anos e que nos últimos meses vem se agravando, tendo como consequência a depreciação de patrimônio e execuções de dívidas bancárias com tomada de maquinário.

Já nas primeiras horas da manhã de segunda-feira, arrozeiros de Cachoeira e região devem chegar à cidade. A concentração está prevista para o entorno do Banco do Brasil, nas ruas 7 de Setembro e Milan Krás. De acordo com o presidente da UCR, Ademar Kochenborger, o Pinto, até mesmo o maquinário agrícola será deslocado das propriedades para o Centro. “Paciência tem limite. Elegemos um governo novo que nos valorize e respeite, o que não aconteceu. Não somos papel higiênico para sermos enrolados”, desabafa Pinto.

 

 

Rio Grande do Sul em Cachoeira 

A UCR já alinhou com a Prefeitura como será a organização do manifesto. A tendência é de que as máquinas sejam acomodadas ao longo da Rua Milan Krás, com delimitação de uma faixa à direita da via. A promessa é de que os produtores não arredem o pé do Centro até o dia 12. Durante esses dias, é possível que até mesmo comida, principalmente carreteiro, seja servida nas ruas durante as manifestações.

O ponto alto da mobilização deve ocorrer na quarta-feira (7), quando são esperadas caravanas de todo o Rio Grande do Sul em Cachoeira do Sul. “O cenário é de desespero, descaso e revolta. O governo sequer toca nos assuntos estruturais da lavoura. Temos uma carga tributária de 33% da porteira para dentro e praticamente não somos subsidiados”, lamenta o dirigente Pinto Kochenborger.

 

De Brasília, só promessas.

No dia 11 de julho, representantes do agronegócio do Rio Grande do Sul, entre eles o cachoeirense Pinto Kochenborger, estiveram em Brasília reunidos com o presidente Jair Bolsonaro e com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina. No encontro, os produtores receberam a promessa de que as parcelas de custeio que vencem nos dias 20 de julho e de agosto seriam prorrogadas para setembro e outubro, respectivamente.

A do dia 20 de julho já venceu e, até o momento, não houve prorrogação. Como a maior parte dos produtores não pagou alegando descapitalização, o temor é de que eles possam parar no Serasa e Cadastro de Inadimplentes, o que obviamente tem como conseqüência a restrição ao crédito. “Enquanto isso, o preço não reage, o mercado está parado e está entrando arroz livremente do Mercosul nas fronteiras brasileiras”, indigna-se Kochenborger.

Os produtores rurais querem que o governo federal acene com medidas estruturantes, principalmente no que tange à redução da carga tributária. “O governo fecha acordo comercial com a União Europeia, mas não arruma a própria casa. Enquanto a União Europeia dá R$ 170 bilhões de subsídios aos agricultores, o Brasil dá só R$ 7 bi. Uma vergonha!”, desabafa o dirigente.

A mobilização deve permanecer até o dia 12 porque é quando o presidente Bolsonaro vem ao Rio Grande do Sul para inaugurar obras da BR-116, em Camaquã. A ideia dos produtores é fazer pressão para que as medidas sejam anunciadas na vinda de Bolsonaro ao Estado.

Fonte: Jornal O Correio digital.