OPINIÃO – Críticas ao serviço público são sempre salutares, desde que com coerência.

 
 
 
Na segunda-feira logo após a sessão da câmara de vereadores, opinei nesse espaço sobre as críticas direcionadas a implantação de linha aérea entre São Borja e Porto Alegre. Posteriormente ouvi pessoas que entendem que a cidade não precisa de ligação aérea com a capital do estado, outras que entendem como uma conquista importante para o desenvolvimento que tanto se pede e algumas que estão alheias aos fatos, para as quais tanto faz como tanto fez.
 
Na mesma sessão outro alvo da oposição foi a secretaria da educação comandada pelo professor João Carlos Reolon. Nas manifestações, vereadores fizeram referências a perdas de recursos públicos oriundos da esfera federal, para obras em escolas do município, por suposto descaso da atual administração, Também criticas a maneira como são estocados no Departamento de Materiais, os alimentos adquiridos para a merenda escolar. Mas a democracia, felizmente, permite críticas, inclusive as mais incoerentes possíveis.
 
Solicitei e recebi fotos do local onde os gêneros alimentícios são estocados. E pelo que vi estão colocados de maneira regular. Nada de excepcional, ainda longe do ideal sim, mas como eram guardados durante os 12 anos em que o PDT esteve a frente da administração pública. O mesmo PDT que hoje critica. E isso tem nome: incoerência.
 
É verdade que se faz necessária a construção de um espaço fechado, com janelas, para estocagem dos alimentos, antes de serem distribuídos para as escolas, porém segundo informações que obtive não há recursos previstos no orçamento para essa finalidade. Há outras prioridades que inclusive estão em andamento: as obras de reformas de escolas do interior e da sede do município (matéria publicada hoje aqui no EXPRESSOESTE).
 
Quanto as perdas de recursos de emendas parlamentares para obras no município, de que isso aconteceu agora, há na melhor das hipóteses, uma meia verdade. Basta pesquisar, buscar informações junto a fontes confiáveis para concluir que os tais recursos começaram a ser perdidos em 2015, 2016, portanto ainda durante a administração passada.
 
Ex integrantes do governo anterior, pessoas coerentes, estão aí para confirmar que por descaso dos que detinham poderes de decisão, foram perdidos milhares de reais. E não apenas para obras em escolas, como também para construção de quiosques no Cais do Porto.
 
Mas aos poucos as soluções vão sendo encontradas para as deficiências na educação, na saúde. Até mesmo na infra-estrutura que ficou a mercê da própria sorte durante tantos anos. Até então São Borja era motivo de chacotas pela buraqueira que tornava muitas ruas intransitáveis. Há muito por fazer, mas o que deixou de ser feito em 12 anos não se reconstrói em dois.
 
Mas sugiro aos vereadores, principalmente aos líderes em gastança do dinheiro público e seus assessores, independente de siglas, que utilizem menos diárias e direcionem os recursos, à construção de um local fechado para armazenamento de alimentos no Departamento de Materiais. Aí com certeza, se o município não usar o dinheiro para essa finalidade, as críticas farão sentido.
 
 
 
 
OPINIÃO: Paulo Roberto Pires.