OPINIÃO – Vereador Carmelito e suas críticas a linha aérea São Borja/Porto Alegre.

    

Acompanhar o ‘Pequeno Expediente” da Câmara de Vereadores as segundas feiras é sempre interessante. É possível ouvir posições firmes, também assuntos que interessam a uma meia dúzia, outros que interessam a maioria da população, mas também oportunidade para ouvir contradições.

Tenho respeito e admiração pelo vereador Carmelito, mas na sessão desta segunda-feira quando ele abordou a conquista de linhas aéreas que irão ligar o município com Porto Alegre, foi infeliz ao tratar o assunto com certo desdém.

Disse em determinado momento que durante o governo Dilma Roussef havia milhões de reais disponíveis para investir nas melhorias do aeroporto João Manoel, o que é verdade. Foi além ao questionar se pessoas pobres terão oportunidade de viajar via aérea daqui para a capital.

São questões que se sobre as quais o vereador não está totalmente inteirado, vou tentar auxiliá-lo. Repito, tem razão o Carmelito ao dizer que durante o governo da presidente Dilma Roussef havia recursos para realizar melhorias no aeroporto local e a partir daí trabalhar para a implantação de linhas aéreas como agora está acontecendo.

O que causa estranheza é que durante o período da presidente Dilma o governo do município era comandado por Farelo Almeida, então no PDT, e o PT do vereador Carmelito compunha a base na câmara e comandava secretarias. Porque então nada foi feito pelo Partido dos Trabalhadores de São Borja para obter essa importante conquista que só agora está prestes a se tornar realidade?

Outra questão é, se uma pessoa pobre, poderá viajar de avião na hipótese de precisar de atendimento de saúde em Porto Alegre. Se for um caso de urgência e a pessoa não puder pagar a passagem, o município terá de arcar com essa despesa. Desde que seja comprovada a urgência através de laudo médico e com a justiça determinando que o município arque com o pagamento da passagem do paciente.

O outro aspecto se refere a quem irá utilizar o transporte aéreo. Além do município de São Borja que tem interesse em atrair empresas para cá, há do outro lado do rio Uruguai o município de Santo Tomé, Argentina, com o Casino Del Litoral que é uma enorme atração para muita gente de outros pontos do estado e do país, que tem dinheiro e tempo disponível para gastar.

Certamente com a disponibilidade de um meio de transporte rápido e seguro, quem gosta da jogatina, utilizará com freqüência o novo meio de transporte. Acredito até, que em pouco tempo aeronaves com nove lugares apenas, se tornarão pequenas para atender a demanda.

Fazer com que esses endinheirados também gastem aqui e não somente em Santo Tome, usando da criatividade, é tarefa para os empresários de hotéis e restaurantes da cidade. É a mesma situação de Santana do Livramento. A implantação da linha aérea para aquela cidade que faz fronteira com Rivera, no Uruguai, é interessante para a cidade brasileira, mas também para a cidade uruguaia onde também há um casino.

A implantação de uma linha aérea ligando São Borja a capital não deve servir para manifestações pobres de conteúdo, mas sim para aproveitar o que ela poderá oferecer no processo de desenvolvimento da cidade.

Há outra questão sobre transporte que liga São Borja a Porto Alegre, que abordo mais adiante. Vamos saber oportunamente sobre uma prática antiga por aqui, conhecida como “mensalinho das passagens de ônibus interurbanos”. E essa prática certamente é bastante conhecida na Casa de Aparício Mariense da Silva.

Opinião - Paulo Roberto Pires.