OPINIÃO - Há quem defenda o desenvolvimento da cidade apenas nas falácias

     
 
 
 
Poderia estar abordando o tema em nível de estado e de pais, mas não. A questão é mesmo na nossa cidade. A mesma cidade que há anos queremos ver crescer, se desenvolver, ofertando permanentemente a sua gente emprego e renda. Mas há os que não pensam da mesma maneira: a turma do quanto pior, melhor.  
 
 
De alguns meses para cá vem se arrastando a polêmica da construção na Praça XV, do Centro de Atendimento ao Turista, um local que como a própria denominação diz, irá oferecer à todos que visitam São Borja as informações sobre os inúmeros locais, pontos turísticos, onde estão emoldurados capítulos da nossa história, cultura, atrações, para quem vem de fora.  
 
 
 
Infelizmente, agentes politicos ou politiqueiros, também alguns ilustres desconhecidos da maioria da população, e que sequer moram na cidade, decidiram interferir na construção da obra (foto ilustrativa). Hoje o prédio está com mais de 50 por cento construído, porém uma decisão judicial determinou sua paralização. A Procuradora Federal Marianna Martini Motta, da Regional de Matéria Finalística da 4ª Região, deferiu liminar provisória de urgência determinando a imediata paralisação da obra realizada na Praça XV de Novembro, na cidade de São Borja/RS, sob pena de multa diária, nos autos da Ação Civil Pública nº 5001802-41.2021.4.04.7120, ajuizada pelo IPHAN, em trâmite na 1ª Vara Federal de Santiago - RS.  
 
 
 
Mas a determinação do IPHAN não se resume apenas a obra da Praça XV, mas a um quadrilátero formado por 12 quarteirões na região central. Para quem conhece a cidade, a delimitação inicia na esquina da rua Olinto Arami Silva esquina com a Coronel Lago, por esta rua se estende até a esquina com a Riachuelo, de lá até a esquina da Barão do Rio Branco e finalmente chegando até a Félix da Cunha, sequência da Olinto Arami Silva. Nesses doze quarteirões não é permitida qualquer obra. E segundo o judiciário a decisão foi tomada devido ao "pressuposto" de que nessa região existe um Sítio Arqueológico. Vejam, decisão tomada a partir de conjecturas, suposições, nada de concreto.    
 
 
 
É verdade que em uma obra ao menos nessa região, chegaram a ser encontrados pequenos vestígios de que há séculos alí residiram os primeiros habitantes daqui, logo depois, a partir de 1682, os primeiros religiosos, os padres jesuítas que aqui aportaram. Porém nada que nos faça crer na existência de alguma obra da época da fundação do então povoado de São Francisco de Borja, há mais de 300 anos. Mas diz o velho ditado: decisão judicial se cumpre em um primeiro momento para depois discutir o mérito.  
 
 
 
E é exatamente isso que o prefeito Eduardo Bonotto está fazendo. Nesta segunda-feira estará em Brasilia para tratar da questão junto ao IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Pretende o chefe do executivo mostrar aos técnicos do instituto, que durante seu governo o município jamais teve qualquer iniciativa que pudesse agredir a história, a cultura construída ao longo de mais de três séculos. E Bonotto o fará junto ao IPHAN, com dados, embasamentos técnicos e farta documentação que comprovam a afirmação.  O instituto somente ajuizou Ação Civil Pública a partir de teses de pseudos entendidos ou conhecedores da "suposta" existência de um Sitio Arqueológico em São Borja. Mas essas mesmas pessoas ignoram um fato: de que os padres jesuítas que aqui habitaram certamente não ficaram limitados aos doze quarteirões, mas também supostamente a extensa área que começa a beira do Rio Uruguai e dalí em direção a zona sul da hoje cidade de São Borja.    
 
 
 
Na região central a antiga igreja deu lugar a edificação atual e ninguém foi discutir se poderia colocar no chão a primeira construção. O prédio da antiga CRT, obra histórica também foi demolido e ninguém reclamou. Há quem diga que no local onde foi edificada a prefeitura havia um cemitério. A obra foi realizada sem que houvesse preocupação com o "campo santo". E tantas outras edificações que foram colocadas no chão e novos prédios surgiram. E onde estavam os "reclamões"?  
 
 
 
Mas vou ater-me ao quadrilátero. Durante as administrações passadas foram construídas várias obras naquela região da cidade. Só pra citar algumas: prédio do Banrisul, prédio na General Marques, no antigo Posto Shell, mausoléo de Getúlio Vargas, no centro da praça, e outras inúmeras edificações, sem que nunca alguém se interessasse pela história do município.
 
 
 
Lá no início dos anos 1970 a praça foi toda esburacada a procura de um túnel que supostamente havia e que ligava a igreja com as barrancas do Rio Uruguai. Nada foi encontrado e ninguém se queixou pela sujeira que ficou durante muito tempo por lá. Mas repito, há uma decisão judicial que paralisou a construção do Centro de Atendimento ao Turista, porque uma meia dúzia de defensores do atraso, decidiram frear via judicial uma obra que futuramente servirá para atender os visitantes, aos turistas, tão importantes para o desenvolvimento.  
 
 
 
E enquanto isso a empresa que ganhou a licitação continua recebendo dinheiro público, os funcionários responsáveis pela obra certamente continuam recebendo seus ganhos mensalmente sem poder trabalhar. E o problema não para por aí. Os mesmos que se encarregaram de levar o assunto ao IPHAN e este ao judiciário, esquecem que inúmeras obras, já com projetos concluídos, para serem construídas, estão paradas. Com isso muita gente que trabalha no ramo da construção civil está desempregada e lojas de materiais de construção não vendem seus produtos.  
 
 
 
É uma pena que São Borja em pleno século XXI ainda conviva com picuinhas que servem apenas para evitar o desenvolvimento que tanto desejamos. Como se já não bastassem 12 anos de atraso, tendo como autores prefeitos irresponsáveis e inconsequentes que quase levaram a cidade ao fundo do poço. Ah, se existe alguma dúvida, vale lembrar da "conquista" de um frigorífico que até hoje é esperado para oferecer dois mil empregos. Aliás, promessa de campanha política do mesmo prefeito que teve contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado. Também vale lembrar do prefeito que deixou a cidade no abandono, com ruas esburacadas, sujas e mal iluminadas, telefones da prefeitura cortados por falta de pagamento, escolas onde até papel higiênico faltava. Isso sem falar de uma dívida superior a R$ 60 milhões, que Bonotto teve que quitar junto a mais de 500 credores para poder colocar seu plano de governo em prática.  
 
 
 
Pois alguns desses que provocaram toda essa polêmica, partindo de suposições, de coisas que talvez existam, são os mesmo que apoiaram os governos passados, que atrasaram o desenvolvimento de São Borja, e que agora também surgem como defensores da história que alguns deles sabem de ouvir falar. Mas nos próximos dias o bom senso há de ganhar espaço. Cansamos de politicagem barata. E mais, a eleição aconteceu no ano passado, portanto é hora de descer do palanque e unir forças para que tenhamos uma cidade cada vez melhor. 
 
OPINIÃO: Paulo Roberto Pires